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  • Foto do escritorLucas Chiquetto

RATCHED - Crítica | 8,7/10 (SEM spoilers)


O escritor, jornalista e produtor de cinema e televisão, o americano Ryan Murphy, acerta mais uma vez ao desenvolver Ratched, que traz, no papel principal, a competente Sarah Paulson.


A série, produzida pela Netflix, foi baseada no romance de Ken Kesey, de 1962, Um Estranho no Ninho, e que tem, como uma das personagens, a própria Ratched, que ganhou uma série todinha para ela, nas mãos de ninguém mais ninguém menos que o polêmico e talentoso Ryan Murphy, vencedor de cinco prêmios Globo de Ouro e sete Emmy, que já nos convenceu de sua capacidade em surpreender em tramas cheias de reviravoltas, como Hollywood, também da Netflix, além de Versace, Glee, Pose e American Horror Story.


Ele traz, nesta trama dramática de suspense, cheia de temas polêmicos - elemento presente nos roteiros de Muphy -, a história da origem de Mildred Ratched, uma enfermeira que chega ao norte da Califórnia para procurar emprego em um importante hospital psiquiátrico, na cidade de Lucia.


Logo nos primeiros minutos da série, vemos Ratched (Sarah Paulson) forjando a própria admissão no hospital psiquiátrico, por várias motivações que não ficam muito claras a princípio, e que, ao longo da trama, vão sendo apresentadas ao poucos, nos permitindo conhecer um pouco mais sobre essa personagem incrível e muito bem construída.


Falando nisso, Sarah Paulson, atriz pela qual já tinha uma grande admiração, ganhou meu coração, definitivamente. Ela convence. Ela dá o seu melhor para trazer à vida a enfermeira “má” e manipuladora que mente, inclusive para si mesma, para poder conquistar seus objetivos. À medida que a trama vai sendo construída, vemos Ratched como uma cebola, que, camada por camada, vai se despindo dos próprios segredos e angústias para, de fato, mostrar o seu verdadeiro lado. E, cá entre nós, chega a dar pena e você até aceita, em partes (em poucas partes mesmo) suas atitudes, por se solidarizar com a sua história traumática que a tornou assim.


Falando em talento, não tem como não falar do time de atores escalados para a série, como as ótimas Cynthia Nixon, Judy Davis e Sharon Stone, que interpretaram Gwendolyn Briggs, a “amiga” de Ratched e assessora do governador; a enfermeira Besty Bucket, e a ricaça Lenore Osgood, respectivamente. É um show à parte cada aparição dessas talentosas mulheres. Mas não poderia deixar de destacar uma personagem, em particular, que chamou muito a minha atenção e que estou louco para ver numa segunda temporada, que, ainda bem, já foi “confirmada”. Estou me referindo à brilhante Sophie Okonedo, que deu vida à paciente Charlotte Wells, que sofre de transtorno de personalidade múltipla e que enche a cena, quando aparece. Não tem como não tirar os olhos dela, mesmo com a boca fechada.



Além dessas atuações marcantes, tem um ponto que me chamou muito a atenção, principalmente por eu ser uma pessoa extremamente visual, e que me encantou. Estou me referindo à produção, figurino, maquiagem e cabelo. É tudo muito lindo. Tudo combina. Tudo encanta. Praticamente tudo está ligado à atmosfera da época proposta, 1947. Cada detalhe das cenas era muito bem construído. As cores utilizadas na série são de encher os olhos. Os tons predominantes de azul turquesa (iguais aos do Ansiedade Criativa. =D) deixaram o hospital psiquiátrico, que tinha tudo para ser em tons frios e escuros acinzentados, com vida e até elegante. As roupas usadas por Ratched, sua maquiagem impecável, seu cabelo sempre bem penteado e até seu carro azul turquesa são um show à parte em cada cena. Em outras, de acordo com a emoção dos personagens, toda a iluminação do ambiente muda, dando um efeito quase que teatral, o que conta como ponto positivo.



Ainda na linha do visual que chama a atenção, é a forma como a edição de algumas cenas foi feita. Em alguns momentos, temos duas situações da história acontecendo ao mesmo tempo, simplesmente porque a tela está dividida em duas partes. Em certas cenas, o espectador consegue ver duas versões de uma mesma situação, o que é um tanto quanto curioso.


Apesar de encantador e interessante, Ratched deixa algumas pontas soltas no roteiro, em apresentar alguns personagens secundários rasos que não trazem muito peso à trama, o que é muito comum na maioria das situações. Mas, de uma forma geral, acerta no tom, do começo ao fim, principalmente depois do terceiro episódio, quando você não consegue mais parar de assistir.


Um ponto que me chamou a atenção foi a trilha sonora. É louvável como ela consegue trazer ainda mais tensão aos personagens principais e suas emoções, fazendo uma referência ao cinema clássico americano.


Ratched é uma série para se assistir aos poucos, degustando cada minuto, porque sua trama é pesada, algumas vezes chocante - a ponto de embrulhar o estômago, no melhor estilo Ryan Murphy.


A segunda temporada já está confirmada, sem data definida. Quando a Netflix adquiriu os direitos de Ratched, junto ao criador Murphy, o serviço de streaming já tinha encomendado a segunda temporada. Ou seja, em breve vamos saber mais sobre o desfecho da história dessa enfermeira má que adoramos conhecer.


Agora, só nos resta aguardar. E, se você não viu, confira o trailer abaixo.

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